O ecossistemas de montanha em Portugal ocupam uma área muito reduzida e a sua maior parte encontra-se no limite sul da sua área de distribuição no continente europeu, o que os torna particularmente vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas e à perturbação (fogos recorrentes, florestação com espécies não adequadas, pastoreio imoderado, instalação de infra-estruturas, má gestão cinegética).

Os ecossistemas ribeirinhos encontram-se fortemente pressionados pela poluição, pelas intervenções hidráulicas desadequadas, pela imposição de obstáculos que impedem a continuidade fluvial e criam ambientes lênticos artificiais, pela sobre-pesca, pela expansão de espécies exóticas invasoras animais e vegetais, pela extração descontrolada de água, pelos efeitos das alterações climáticas (irregularidade e diminuição da precipitação e aumento da temperatura do ar provocarão redução das disponibilidades de água, do aumento da variação sazonal do escoamento, ao que se associa um provável aumento das necessidades de água do sector agrícola).

 Neste contexto de aumento das pressões sobre as massas de água, antevêem-se impactes devastadores sobre a biodiversidade, em particular sobre alguns invertebrados (bivalves de água doce) e sobre a ictiofauna.

Atento a esta situação, o FAPAS desenvolverá as seguintes acções:


- conservação da ictiofauna e invertebrados ameaçados - cujo objectivo é monitorar e propor intervenções que visem a conservação de espécies como a truta-de-rio (e.g. Salmo truta), bivalves de água doce (e.g. Margaritifera margaritifera) e recuperação de habitats degradados.

Margaritifera margaritifera


- criação de uma iniciativa de ciência-cidadã colaborativa em rede, com vista a identificar, monitorizar e propor soluções com vista mapear os obstáculos existentes nos cursos de água, os pontos de permanência hídrica estivais, a qualidade do bosque ripário, verificação de ausência/presença nos cursos de água de três espécies de libélulas bioindicadoras e sensíveis a alterações da qualidade dos ambientes lóticos.

Rio Erges no Parque Natural do Tejo Internacional


- dinamização de acções de controle continuado de espécies exóticas invasoras, para prevenir a extinção de espécies ameaçadas (e.g saramugo, escalos do Mira e do Arade).

Perca-sol

Os ecossistemas litorais apresentam-se, em geral e no contexto actual, muito degradados, em resultado das significativas pressões antrópicas a que se encontram sujeitos, fruto do facto de mais de 60% da população portuguesa se concentrar no litoral e de aí intensificar grande parte da actividade turística e de lazer que ocorre no nosso país.

Pese embora a maior parte das nossas espécies endémicas ocorram apenas na área litoral, a verdade é que estas e os seus habitats se encontram em estado de conservação desfavorável ou a carecer de intervenção.

Considerando a informação disponível, o FAPAS pretende focar sua intervenção:

 

- no mapeamento dos habitats mais susceptíveis e em estado de conservação desfavorável e na execução de propostas de intervenção para a sua salvaguarda, designadamente as depressões inter-dunares, os salgueirais de salgueiro-anão, as dunas cinzentas.

Duna litoral

 

- na execução de intervenções de restauro de dunas em áreas degradadas, particularmente vulneráveis aos fenómenos erosivos costeiros e à degradação por actividade humana.

Zona costeira

 

As zonas húmidas, embora representem uns escassos 2% da superfície continental terrestre, são ecossistemas chave para a preservação da diversidade biológica, para a regulação do ciclo hidrológico e regulação climática, para a prevenção de fenómenos meteorológicos extremos, como as inundações, protecção costeira e para a alimentação humana.

 Apesar de Portugal possuir uma rede muito significativa de áreas classificadas para a conservação das zonas húmidas e de ter sido efectuado algum esforço na sua preservação, continuam a subsistir lacunas na sua efectiva salvaguarda no longo prazo, face a um conjunto de ameaças que cumulativa e sinergicamente podem degradar o património e diminuir o fornecimento de serviços de ecossistema.

O FAPAS, como entidade não governamental de ambiente especializada em temas da biodiversidade e dos ecossistemas, pretende realizar as seguintes acções:

 

- monitorizar e avaliar o estado de conservação e as ameaças que incidem sobre os estuários e as lagunas costeiras, nomeadamente sobre a Barrinha de Esmoriz/Lagoa de Paramos, sobre a Lagoa da Sancha (Santiago do Cacém), sobre o estuário do rio Mira e sobre a Ria Formosa.

Laguna Sancha

 

- dinamizar acções de conservação de turfeiras de montanha e sub-litorais.

Turfeira

 

- dinamizar acções de conservação de charcos temporários mediterrânicos.

Lagoa temporária em Mogadouro (© Paulo Santos)

Gerês

O FAPAS é uma organização não governamental de ambiente, de âmbito nacional, sem fins lucrativos, constituída em 1990 por cidadãos com longa experiência no domínio da conservação da Natureza, vocacionada para a promoção de acções que visam a conservação activa da biodiversidade e dos ecossistemas.

Agindo sempre de forma livre e independente, o FAPAS é financiado com as quotas dos seus associados, com apoio mecenático de diversas entidades para campanhas e acções, e com verbas da União Europeia para o desenvolvimento de projectos. Conta ainda com o apoio técnico de técnicos de ambiente, biólogos e juristas, para suporte científico e legal das suas acções e intervenções.

Mantém contactos internacionais com associações congéneres, nomeadamente espanholas e é membro da IUCN (International Union for the Conservation of Nature).

Desde a sua fundação, o FAPAS desenvolveu inúmeras iniciativas, que podem agrupar-se em quatro grandes vertentes: acompanhamento, acção, formação e edições.

Pilrito

Com o objectivo de fomentar a cidadania activa aliada ao gosto pela natureza, tendo sempre presente o desenvolvimento de competências e a promoção o contacto com as tecnologias de informação e comunicação junto dos mais jovens, surge o projecto “Realizar-se na escola…”. Este é um projecto direccionado para alunos do primeiro ciclo, em escolas na região do Porto.

Saiba mais no website do projecto aqui.