Características da actividade:

Para insectos.
Esforço e dificuldade média.
Tempo: 2 a 4 horas.

Procedimento

Uma parte significativa dos insectos que nos prestam serviços de polinização e nos auxiliam no controlo biológico necessitam de espaços ocos onde se possam abrigar. É, também, nestes buracos que as suas larvas permanecem até à primavera seguinte e onde completam o seu ciclo de vida. De um modo geral, utilizam buracos em troncos, tijolos ou pedras, aproveitam espaços deixados por larvas de outros insectos (de coleópteros, por exemplo) ou ocupam o verso das cascas das árvores.

Todavia, num contexto em que gestão dos espaços verdes das nossas cidades e vilas continua a não favorecer a biodiversidade, fazendo com que cerca de um terço destes insectos não encontrem habitats adequados perto de nós, porque não proporcionar-lhes uma casa em troca dos serviços de polinização e de controlo biológico de pragas que nos prestam?

Aspectos a considerar

É muito fácil criar abrigos ou locais de nidificação para insectos. Contudo, é necessário que se respeitem algumas regras:

• devem-se disponibilizar orifícios de diferentes diâmetros para satisfazer o maior número possível de espécies - estes podem ter entre 4 e 12 milímetros

• devem-se disponibilizar materiais que proporcionem galerias com comprimento adequado - entre 10 e 20 centímetros

• recomenda-se utilizar materiais isolantes, já que no inverno as temperaturas podem baixar muito - dar preferência à reutilização de materiais como canas, ramos, madeiras que não tenham sido tratadas com químicos ou que sejam de espécies resinosas, restos de troncos, tijolos velhos, etc…

• deve-se posicionar o abrigo a uma altura adequada (entre 90 cm e 1,5 metros) - deverá, também, ficar protegido do vento e da chuva dominantes, num local onde apanhe sol, virado a sul.

• evitar a utilização de tubos de vidro ou garrafas de plástico, mesmo que a intenção seja acompanhar o desenvolvimento das larvas, dado que esses materiais facilitam a acumulação de humidade que favorece o aparecimento de fungos que lhes são prejudiciais.

 

Como construir

Aqui ficam algumas sugestões de técnicas que poderão ser combinadas de forma criativa para instalar um hotel para insectos que possa atrair o maior número de espécies:

Técnica 1 - Perfure um tronco fazendo furos de diâmetros diferentes com o auxílio de um berbequim: esta solução é simples e é também adequada para acolher muitas das espécies. Como, após alguns anos, os troncos poderão ter tendência a rachar, o que pode afectar a sua capacidade para servir de albergue, há que substituí-los sempre que os mesmos deixem de cumprir a sua função.

Técnica 2 - Junte diversos feixes de plantas com caules ocos (por exemplo, bambu, canas, juncos, caniço) e ramos (por exemplo, videira, sabugueiro) e reúna-os em feixes, cortando-os para que fiquem com o mesmo comprimento. No caso das canas, deixe a parte dos nós na parte de dentro e, para os restantes materiais, adicione, se possível, argila, terra ou algodão nas extremidades. Os feixes devem ser posteriormente colocados na horizontal no interior de uma estrutura que os proteja dos elementos do clima, por exemplo, uma caixa de madeira (ver exemplo abaixo).

Técnica 3 - Empilhe, simplesmente, tábuas de madeira e perfure-as com um berbequim. Os sulcos criados formam as galerias com comprimento adequado. Esta técnica tem a vantagem de criar uma estrutura que pode ser parcialmente desmontada.

O hotel deverá ter compartimentos, dado que assim será mais fácil acomodar e organizar os diferentes materiais. Apesar do FAPAS não querer, de modo algum, limitar a criatividade dos designers de hotéis para insectos, fica aqui um modelo simples para os que têm pouca disponibilidade de tempo e querem ajudar a biodiversidade perto de si. Envia-nos uma foto do teu trabalho para nós publicarmos aqui!



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