COMUNICADO - Porto, 12/06/2019

O FAPAS (Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens) junta-se à QUERCUS (Associação Nacional de Conservação da Natureza) no protesto contra a instalação de mais um parque eólico na serra do Marão, a juntar aos 60 aerogeradores que já ali existem; só que os oito geradores agora propostos tem a particularidade, que os distingue dos já instalados, de terem 93 metros de altura e rotores com 114 metros de diâmetro.

A sua instalação obrigará à abertura de verdadeiras autoestradas, que vão devassar áreas atualmente tranquilas e o ruído que irão produzir será enorme.

Além de ser um atentado à paisagem e, nomeadamente, à paisagem do Alto Douro Vinhateiro - Património Mundial, a prevista instalação afeta gravemente o habitat do lobo-ibérico e da águia-real, espécies vulneráveis e protegidas, razão pela qual, entre outras, a área foi incluída na Rede Natura 2000, uma rede de áreas protegidas que pretende salvaguardar o que de melhor temos na Europa, em termos de património natural, a nossa herança para as gerações futuras.

É com enorme perplexidade e incredulidade que lemos no estudo de impacto ambiental que esteve em discussão afirmações como “não é previsível a ocorrência de qualquer impacte negativo sobre o ambiente” ou que a construção do parque eólico vai permitir promover “a economia local e a qualidade do ar”! Como é possível escrever isto?

 

Não vale tudo para produzir energia elétrica através de fontes renováveis e não se pode fazer disso um fim em si. O que importa é reduzir o consumo de energia, melhorando o desempenho tecnológico dos equipamentos, o isolamento térmico das residências e a diminuição dos consumos supérfluos.

O mesmo se diga quanto às anunciadas explorações de lítio para alimentarem baterias de automóveis elétricos que, feitas as contas, poluem tanto como as viaturas convencionais; acresce que o lítio é um negócio de ocasião pois tudo leva a crer que, segundo o Financial Times, com base nos estudos financeiros da insuspeita Morgan Stanley, 2018 será o último ano em que se regista um défice global de lítio, de que haverá "excedentes significativos" a partir de 2019. Ou seja, ficaremos com as cicatrizes ambientais no território e sem os prometidos resultados para a economia local e postos de trabalho.

Também a degradação dos solos e da paisagem alentejana por culturas intensivas, nomeadamente de oliveiras, nos suscitam sérias apreensões.

É preciso colocar num prato da balança o valor da paisagem e da biodiversidade, nomeadamente como propulsores do turismo e das economias locais, e o valor de algum lítio, de alguma energia eólica ou de mais algum azeite que em nada valorizam a paisagem e muito pouco contribuem para a economia local; as populações ainda se lembram das “corridas ao volfrâmio” e dos respetivos resultados.

O FAPAS apela ao bom-senso dos nossos governantes para que se não deixem embalar em promessas de “amanhãs que cantam” e façam bem as contas sobre o modelo de desenvolvimento que queremos para Portugal.

As eólicas agora previstas para o Marão têm um período de exploração previsto de 20 a 25 anos e, após esse prazo, será com dinheiro público – de todos – que iremos desmontar e mandar para a sucata essas oito torres de altura superior a prédios de 30 andares.

 

Porto, 12/06/2019

 

A Direção do

FAPAS (Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens)

 

INFORMAÇÕES

Nuno Gomes Oliveira

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